quarta-feira, 20 de junho de 2012

A MISSÃO ANGLICANA COMUNIDADE DA PAZ PARABENIZA A INICIATIVA E DECISÃO DA INSTITUIÇÃO DO INSTINTUTO ROBINSON CAVALCANTI.


 
“Um povo sem historia é um povo sem identidade” 
 (Dom Robinson Cavalcanti)

A Missão Anglicana Comunidade da Paz parabeniza a Diocese do Recife, pela Instituição do Instituto Robinson Cavalcanti, esta é sem duvida uma grande homenagem ao nosso querido bispo, ele sempre defendeu a historia como identidade. Por isso é de suma importancia reconhecermos a história de dom Robinson e de sua esposa irmã mirian, casal viveram o evangelho e a causa do Senhor como prioridade. Como lemos no Evangelho de São Mateus. Buscando o Reino de Deus e a sua justiça.
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 6:33
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Mateus 6:33
A Missão Anglicana Comunidade da Paz como parte integrante da Diocese do Recife, se solidariza com esta tão grande e honrosa iniciativa, é preciso que cada um de nós não deixe que se apague nenhuma das chamas acesas por dom Robinson, no nosso entendimento o Instituto será uma grande tocha onde cada um de nós vai acender nossas lamparinas e iluminar caminhos.
Dia 21 de junho dia em que comemoramos o aniversario de dom Robinson, muitos de nós iríamos a sua residência para participarmos do Arraia do Robinho, falando em arraial é uma palavra que tem varias definições e dentre elas significa pequeno povoado, aldeia, etc.
Aldeia nos lembra índios, e segundo a espiritualidade indígena quando um cacique é morto ele é enterrado em pé, isto significa que um líder não enterrado e sim plantado para que possam surgir novos lideres.
É com essa espiritualidade da semente, que esperamos do Instituto Robinson Cavalcanti. Que ao chegamos nele possamos ser tomado por seus ideais de Cristianismo Ortodoxo, pelo desejo de alargamos nossas tendas por meio do evangelismo e que em cada canto deste país tenhamos uma comunidade anglicana vivendo a Missão Integral da Igreja.

Paulista, 20 de junho de 2012.


Rev. Daniel Barbosa, ose

quarta-feira, 13 de junho de 2012

MANEIRA DE SER DOS ANGLICANOS.


 
James C. Fenhagen - Deão do Seminário Geral de Nova York 

O autor de novelas americano Walker Percy põe na boca de um de seus personagens da novela a SEGUNDA VINDA o seguinte comentário sobre a situação religiosa na cultura contemporânea de seu país:

"Mário é um episcopal conservador que não quer mudanças na igreja. Leshe e Jason são cristãos batizados pelo Espírito Santo e não dão importância alguma tanto à liturgia como aos sacramentos, a não ser que levem a um encontro pessoal com Jesus Cristo. Ed e Marge são da Califórnia e estão sempre prontos a abraçar a primeira moda que aparecer. Jack, o ministro, não se interessa muito pelo sacerdócio feminino ou pela nova liturgia, mas está sempre presente nas reuniões ecumênicas do Oriente Médio e da América Latina. Além disso, as suas roupas prediletas são o tênis e o abrigo esportivo. Kitty acredita na astrologia e no horóscopo. Yamatuchi é Testemunha de Jeová e acredita que é um dos 144.000 que vão sobreviver ao Armagedom final. A esposa de Yamatuchi é espírita e acredita na reencarnação. Será essa época uma época de crenças, de um renascimento de fé após um período de materialismo de massa, de ateísmo, agnosticismo, liberalismo? Ou é uma época de loucura em que todos crêem em tudo? O que é que é verdadeiro?”

Este comentário sobre a confusão que existe entre as religiões na América fortalece em mim a convicção daquilo que está no centro do modo como a Igreja Episcopal tem compreendido a fé cristã. De fato, há uma diferença entre como você entende a fé cristã e como a tradição a conserva.
 
Em nosso mundo pluralista, procuramos omitir as diferenças denominacionais devido ao nosso desejo, compreensível, de nos mostrarmos caridosos para com o próximo e também abertos a manifestações de fé diferentes da nossa. Eu compartilho desse espírito, mas me preocupa o fato de que este desejo de nos mostrarmos abertos aos outros pode nos afastar daquilo que a nossa tradição considera verdadeiro. Devo comprometer-me com uma visão ecumênica da Igreja, mas não a ponto de negar aqueles aspectos da minha própria tradição que, creio, devem ser testemunhados com convicção como parte de qualquer diálogo.

Resumindo, creio que há, de fato, um modo anglicano de ser que tem muito a contribuir para toda a igreja e que devemos testemunhar com convicção. Há três elementos nesta tradição que eu gostaria de mencionar aqui. Faço isso, sabendo que alguns desses elementos nós compartilhamos com outras denominações, mas que no anglicanismo têm uma forma peculiar de se manifestar.

COMPREENSIVIDADE. Em primeiro lugar, desde o tempo de nossa reforma no século XVI, a Comunhão Anglicana tem se comprometido com uma postura de compreensão e não de uniformidade doutrinária. Isso envolve a capacidade de manter reunidas pessoas que têm posições aparentemente opostas. É uma posição que permite um debate teológico consistente, mas que outros acham difícil de entender. Uma padre católico romano certa vez me perguntou: “Onde encontro escrito claramente o que vocês anglicanos acreditam?” minha resposta foi: “Na Bíblia, nos Credos e no modo em que adoramos. Está tudo lá, mas só pode ser compreendido na maneira de viver, na caminhada”. E eu acredito nisso até hoje. William Wolfe que ensina teologia no Seminário Teológico de Cambridge, Massachusetts, fala da tradição anglicana como sendo um diálogo orientado litúrgica e pastoralmente para quatro sócios: católicos, evangélicos, advogados da razão e da experiência. E a palavra “sócio”, diz ele, é escolhida de maneira deliberada para enfatizar a necessidade de cada aspecto de nossa tradição permanecer cooperando com outras.

Este tipo de compreensividade produz um modo de entendimento de fé cristã. Significa que levamos a sério a necessidade de uma investigação crítica e intelectual em resposta a uma verdade apresentada, venha de onde ela vier. Uma das maiores ameaças para que a fé que encontramos no mundo de hoje é o anti-intelectualismo dogmático, que se esconde atrás de um aparente fervor religioso. Há uma diferença entre convicção e dogmatismo. A diferença é a fé. Jesus não oferece certeza absoluta. Ele nos oferece um relacionamento de incrível intimidade e poder.

A Igreja nos oferece uma tradição e o mundo nos oferece mudanças. Fé envolve viver a tensão entre três pólos: uma relação pessoal com Jesus Cristro, a tradição da Igreja e as mudanças que refletem o andamento do mundo, ao mesmo tempo em que permanecemos disponíveis ao surpreendente e ao mistério de tudo quanto não conhecemos e alertas ao movimento de Deus naquilo que é novo. Se nosso relacionamento com nosso Senhor Jesus Cristo é sério, não precisamos temer as difíceis questões que o mundo nos apresenta. Não precisamos temes incertezas ou novas idéias ou mesmo dúvidas, porque Jesus Cristo é nossa esperança e nossa promessa, ontem, hoje e amanhã. Nossa igreja tem lutado denodadamente para manter essa posição de compreensividade durante séculos. Não é fácil nem sem certo sofrimento, mas dou graças a Deus por aquilo que Ele nos tem possibilitado testemunhar.

SANTIDADE PESSOAL. No segundo lugar, como anglicanos, oferecemos ao mundo uma tradição espiritual que considera a santidade pessoal como algo que surge do inter-relacionamento entre participação litúrgica, solidão e compaixão. Todos esses três elementos são necessários e interdependentes. É uma tradição espiritual que entrelaça um interesse por liberdade pessoal com ênfase na beleza, na alegria e no temor, uma tradição enriquecida por Juliano de Norwich, George Herbert, Lancelot Andrewes, Jeremy Taylor e Evelyn Hunderhill.
 
Nosso maior tesouro espiritual é o LOC, revisado muitas vezes desde a sua criação, e no entanto, contém até hoje uma caminhada feita por muitos elementos e formada pela experiência de milhões de pessoas.

Ser uma igreja litúrgica, entretanto, envolve mais do que ter um livro. É uma maneira de louvar que é essencialmente dialogal, onde cada pessoa tem um lugar e uma parte ativa. Nós nos reunimos para adorar não só para nosso próprio proveito, mas também em favor daqueles que nunca oram ou que nunca passaram pela porta de uma igreja. Esse senso de ser um igreja intercessora a favor dos outros está profundamente enraizado em nossa tradição e é mostrado na nossa compreensão da Santa Eucaristia, onde compartilhamos do auto-oferecimento de Cristo em favor do mundo. Esta compreensão de adoração não depende de famosas celebridades ou pregadores carismáticos, mas do trabalho do povo, onde clérigos e leigos realizam a sua parte e fazem jus ao seu ministério.

Um dos fenômenos de nosso tempo tem sido o surgimento do interesse pelas religiões orientais e o lugar da solidão na vida humana.
Os jovens abandonaram nossas igrejas porque não encontram aquilo que sentem ser tão profundamente necessário.
Para os anglicanos o restabelecimento de nossa tradição envolve também a restauração de nossas raízes espirituais, raízes nutridas pela liturgia, mas aprofundadas e expandidas pela solidão. É somente desse modo que nos tornaremos pessoas mais compreensivas e mais preocupadas com as necessidades do povo.

Thomas Merton certa vez observou que a forma de violência mais perversa do mundo contemporâneo é o ativismo e o excessivo trabalho. Segundo o conhecido monge trapista, “a correria e as pressões da vida moderna são uma forma, talvez e a mais comum, de violência da vida. Permitir-se ser envolvido por uma multidão de interesses conflitantes, render-se a pedidos demasiados, comprometer-se com projetos gigantescos, querer ajudar a todos em tudo é sucumbir à violência. Mais do que isso, é cooperar com a violência.

A agitação do ativista neutraliza seu trabalho pela paz. Destrói sua capacidade íntima de paz. Destrói os frutos de seu próprio trabalho, porque mata a raiz da sabedoria interna que faz o trabalho ser frutífero”.

Estas palavra proferidas por um monge trapista, que por sua vez estava citando um “quaker”, refletem uma linha de pensamento profundamente ligada à nossa tradição. É uma tradição de liturgia, de solidão e de compaixão que fala para uma fome profunda em nosso mundo, uma fome que vemos em nós também.

SANTA MUNDANIDADE. Finalmente, gostaria de considerar importante um aspecto da tradição anglicana que pode ser descrito como “santa mundanidade”. É uma afirmação de vida, em vez de uma negação do prazer. Chama as pessoas para a fé não por medo ou culpa, mas a partir de uma visão de Deus que provoca uma resposta em vez de exigi-la. É um modo de vida modelado pelas palavras do primeiro libro da Bíblia: “E Deus criou o mundo e viu que era bom”. Isso não quer dizer que não levamos a sério o pecado humano, mas que a nossa ênfase está naquilo que a nossa redenção em Cristo torna possível.
 
Somos uma igreja sacramental que vê a presença do amor de Deus nas coisas mais mundanas. Nossa tradição considera a perfeição, sexualidade e o prazer humano não como um fim em si mesmos, mas como reflexos do amor de Deus. É por isso que quando desvirtuamos ou empregamos mal as coisas que Deus nos dá as conseqüências são tão sérias.

Estamos rodeados no mundo por forças que procuram nos motivar, jogando as nossas culpas, os nossos temores, a nossa compreensível frustração e preocupação com aquilo que ocorre ao nosso redor. Há dias em que gostaríamos de gritar bem alto: “Mundo, pare, eu quero descer. Esse trem não me serve”. Há dias em que parece que somente as respostas simples ou os inimigos claramente definidos satisfazem a agitação que sentimos. Mas, entregar-se a esses sentimentos é negar uma coisa que é fundamental em nosso batismo.

Somos filhos da promessa. Mesmo no meio da morte podemos proclamar a esperança. Somos parte de uma tradição que afirma que a vida é mais rica quando vivida em favor dos outros. É uma tradição que se recusa a viver por medo ou coerção, não importa quão nobre seja a finalidade; e escolhe viver em liberdade e em amor em resposta ao que Deus nos tem dado. Isso é santa mundanidade.

Henri Nouwen conta uma história comovente que ilustra o que isso significa: “Era uma vez um velho que costumava meditar bem cedo, todas as manhãs, debaixo de uma grande árvore na margem do rio Ganges, na Índia. Uma manhã ele viu um escorpião boiando indefeso na correnteza do rio. De repente, o escorpião foi levado pela correnteza para perto da árvore e ficou preso entre as raízes que se estendiam para dentro do rio. Lutava desesperadamente para se libertar, mais cada vez mais se enrolava. Quando o velho viu isso, imediatamente estirou-se ao longo das raízes e procurou salvar o escorpião que se afogava. O animal virou-se e o mordeu. Instintivamente, o homem retirou a sua mão. Mas tendo retomado o equilíbrio, mas uma vez esticou-se para salvar o agonizante escorpião, e cada vez que o velho chegava perto, o escorpião o mordia tão furiosamente que as mãos do velho ficaram inchadas e ensangüentadas, e sua face se contorcia de dor. Naquele momento, alguém que passava, vendo o velho estirado sobre as raízes, lutando com o escorpião gritou: “Oh! Velho idiota, estás louco? Somente um louco arriscaria a sua vida para salvar esse animal mal-agradecido!” Vagarosamente o velho virou sua cabeça e olhando calmamente bem nos olhos do estranho, disse: “ Amigo, porque é da natureza do escorpião morder, devo eu abandonar a minha própria que é a de salvar?”
 
Bem, essa é a questão. Por que devemos abandonar a nossa natureza de ser compassivos, de pessoas que lutam pela vida, mesmo quando somos feridos por um mundo ferino? Devemos nos entregar para um fundamentalismo bíblico e um falso moralismo porque alguém nos diz que é isso que faz a igreja crescer? Por que deveríamos deixar de ser povo, que sempre está pronto a se dar a si mesmo em favor dos outros, só porque o mundo nos diz: “protejam-se e retirem-se, porque vocês vão se machucar?”
 
Como membros da Igreja Episcopal Anglicana, pertencemos a uma família universal que compartilha de uma herança comum. Em nosso básico compromisso com Jesus Cristo somos iguais a todos os cristãos, mas em nossa caminhada: uma tradição de compreensividade, uma santidade pessoal forjada por uma liturgia comum e um espírito que sempre afirma a vida. Os episcopais anglicanos compartilham de outros tesouros também, mas estes falam com graça e poder para um mundo dividido e amedrontado.



Traduzido pelo Rev. Carlos Getúlio Hallberg - Reitor do SETEK – Porto Alegre - RS

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sinais de uma Igreja-Diocese em Franco Processo de Amadurecimento.

Rev. Ivaldo Sales (¬)
“É meu dever legar ao meu sucessor e à posteridade uma
Diocese Anglicana neste território”
(+Dom Robinson Cavalcanti, ose – Bispo da Diocese do Recife)
A Igreja é um projeto de Deus. Seu fundador é o próprio Jesus Cristo: “Eu edificarei a minha igreja”, disse Ele. A Igreja não tem dono; Seu único chefe é o próprio Jesus – o Cabeça (Ef 1.22; 5:23; Cl 1:18), porém designou um grupo de doze apóstolos para cuidar dela. Estes, por sua vez, constituíram bispos para darem continuidade à tarefa a eles confiada (por isso, no contexto do Novo Testamento, a Igreja que ficou sob os cuidados dos apóstolos tem uma eclesiologia episcopal – At 20:28; Fp 1:1; 1Tm 3:1; Tt 1;7).
Mais tarde, os apóstolos deveriam constituir bispos porque estavam prestes a deixar esse mundo e irem juntar-se com o Senhor da Igreja. Os bispos, então, são os sucessores dos apóstolos do Novo Testamento. Sendo assim, ela é uma instituição divina e humana ao mesmo tempo.
Na sua dimensão humana, ela é visível e católica, consta de pessoas vindas de todas as tribos, línguas, povos e nações que professam sua fé no Nome daquEle que está acima de todos os nomes: Jesus Cristo, o Rei dos reis e Senhor dos senhores. A esta dimensão de Igreja, o Senhor Jesus Cristo deu o ministério dos oráculos e dos sacramentos para o amadurecimento dos santos assistidos pelo poder do Espírito Santo (At 1.8), até que Ele venha em glória (Segundo Advento).
Na sua dimensão divina, ainda que a dimensão humana esteja sujeita a erros e à degeneração, conforme reconheceu o reformador Martinho Lutero, ela sempre será uma Igreja Católica, Una, Santa e Apostólica, poderosa na terra, para adorar a Deus por toda a eternidade.
Segundo a Confissão de Fé de Westminster: “A Igreja Católica, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu Cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas”.
A Diocese do Recife, em franco processo de amadurecimento, tem como uma de suas funções prioritárias, promover a cura substancial nas relações interpessoais que foram afetadas pela Queda (Gn 3), com base na obra consumada e completa de Jesus Cristo no espaço, no tempo e na história, há mais de 2.000 anos, numa cruz do monte Calvário.
Quando nossos primeiros pais pecaram, esta Queda desencadeou primeiramente um conflito de ordem espiritual ou teológico (entre Deus e o homem: “Quando ouviram a voz do Senhor... esconderam-se da presença do Senhor Deus, o homem e sua mulher” (Gn 3:8). A tendência que os homens e as mulheres têm de fugir da presença de Deus é um reflexo da Queda (por isso, é nosso dever evangelizar, anunciar o evangelho da reconciliação). Outra tendência é a de responsabilizar Deus pelos problemas que existem no mundo (precisamos investir mais na formação de Escolas Dominicais, IATs e SATs, na formação apologética para dar respostas honestas a questionamentos sinceros; estarmos aptos para explicar a razão de nossa fé). No texto bíblico, fica claro que Adão acusou Deus de ter tido à ideia de criar a mulher: “a mulher que tu me deste como companheira” – Gn 3:12).
Em seguida, o conflito de ordem emocional ou psicológica: “ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi”, ficou perturbado, entrou em crise consigo mesmo (Gn 3:10). O crescimento das doenças psicossomáticas de nossa época que os psicólogos, os psicanalistas e psiquiatras têm se empenhado para estudar, compreender e combater tem suas raízes também nesta Queda. Neste sentido, recomendo o velho livro do Rev. Richard Baxter, “Superando a tristeza e a depressão com fé”, cujo conteúdo é antes da criação da psicologia moderna.
A crise de ordem sociológica, política e econômica vem logo em seguida: – a “mulher”, “ela me deu” (Gn 3:12) – a tendência de culpar sempre a outra pessoa, o próximo. Daí as guerras, a dedicação para entender as relações internacionais, a diplomacia e as missões de paz entre nações, além do esforço das forças armadas e da polícia para evitar a guerra e o derramamento de sangue entre os irmãos, as lutas de classe e a desigualdade social e manter a paz. A leitura dos cientistas políticos, cristãos, evangelicais e também anglicanos Robinson Cavalcanti e Paul Freston, são fundamentais para compreender estes aspectos e saber fazer leitura de conjunturas tanto no contexto em que vivemos como em níveis mais amplos.
E, finalmente, a crise de ordem ecológica ou ambiental. A terra sofre uma deformação, “maldita é a terra por causa de tua decisão; em fatigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo” (Gn 3:18). O surgimento das ervas daninhas, dos espinhos, das plantas venenosas bem como as mudanças climáticas, a morte dos manguezais, e destruição do meio ambiente, a poluição dos rios e derrubada das florestas, a extinção das espécies, as queimadas e toda a agressão da natureza sofrida pela ação do próprio homem, tem sua matriz última na Queda narrada no texto bíblico.
É muito importante que compreendamos que o dilema da raça humana, é, antes de tudo, um dilema moral. Nosso problema básico é o pecado, como nos lembra Francis Schaeffer, “uma culpa mora real (não apenas o sentimento de culpa), e um pecado moral real, porque pecamos contra um Deus que é real, e que é santo”.
Preciso ter pelo menos duas atitudes certas, diante do meu dilema: reconhecer e confessar o meu pecado objetivamente (1Jo 2:9) e arrepender-me e restituir a quem pequei, com base no caráter daquEle que me criou segundo à Sua própria imagem e semelhança. Não apenas para sentir um alívio psicológico, mas porque a restauração passa por estas atitudes.
A preocupação em defender e proteger a vida e a integridade da criação é uma das marcas vitais desta Igreja que se encontra em franco processo de amadurecimento. Como cristão evangelical e anglicano, me alegro de ter encontrado nesta parcela da Igreja de Cristo, um lugar de cura em todas as dimensões: físicas, espirituais, psicológicas e, até mesmo, ambientais, com base somente na graça de Cristo, em sua obra consumada, no tempo e no espaço, quando Ele foi à cruz por mim, morreu por mim, ressuscitou por mim e voltará segunda vez, por mim.
A construção de uma Diocese Anglicana e seu amadurecimento, sem dúvida alguma, passa pelas dimensões, de vida e de presença na história deste país.
É claro que há falhas neste processo de uma Diocese Anglicana a serem evitadas e corrigidas. Daí a importância dos Sínodos e Retiros, das ações desenvolvidas pelos secretariados em suas diversas temáticas. Mas, ainda assim, é uma construção bastante relevante no processo de amadurecimento em território brasileiro.
Que Deus, em Sua bondade, nos ilumine e encoraje a crescer não apenas em quantidade, mas igualmente em qualidade dentro de uma multidimensão de vida e de presença na sociedade em que vivemos. Para a glória do Seu Nome e pela dignidade do Seu Evangelho.


¬ Rev. Ivaldo Sales da Silva é Presbítero na Diocese do Recife; Assessor Diocesano para Defesa da Vida e da Criação; e membro da Ordem de Santo Estevão (OSE).
Contato: pastor.aids@yahoo.com.br

MISSÃO ANGLICANA COMUNIDADE DA PAZ


segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mutirão Mundial de Oração



O Mutirão Mundial de Oração (MMO) é a união de cristãos em todo o mundo para orar por crianças e adolescentes em vulnerabilidade social. Por iniciativa da Viva (www.viva.org), ele acontece há 16 anos em mais de cem países. Desde 2003, ele é também promovido no Brasil pela Rede Mãos Dadas. Em 2010, o Mutirão envolveu mais de 30 mil pessoas. O MMO integra a Campanha Latino-americana pelos Bons Tratos da Criança (www.maosdadas.org/bonstratos) e este ano também está apoiando a Campanha de Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Turismo.

No próximo domingo dia 13/05 às 9h, a MISSÃO ANGLICANA COMUNIDADE DA PAZ estará realizando uma programação, estaremos orando pelas crianças e adolescentes que se encontra em vulnerabilidade social.

Convidamos você e sua família para juntos intercedermos  por estas crianças e adolescentes. 


terça-feira, 13 de março de 2012

BRIGADA AMBIENTAL

A Missão Anglicana Comunidade da Paz croiu uma ONG Ambiental a qual será denominada de: BRIGADA DE CONSCIÊNCIA AMBIENTAL DOM ROBINSON CAVALCANTI.

A IMPORTANCIA DA BRIGADA AMBIENTAL

A importância da Brigada Ambiental é em contribuir na orientação de educação ambiental na comunidade onde ela esta inserida. Na perspectiva de construir a consciência ambiental dos moradores da comunidade.

A importância da preservação do meio ambiente é sem duvida uma discussão muito antiga, é uma reflexão da ação humana na natureza.

É importante também aprender a ter o devido cuidado para com a natureza como: Não desmatamento, o cuidado com a Fauna e Flora, reciclagem dos lixos, o não desperdícios de águas, etc.

Nas ultimas décadas temos percebido que a degradação ambiental e a queda na qualidade de vida têm crescido assustadoramente.

DEUS nos colocou para que cuidássemos de tudo quanto Ele criou. A Adão lhe foi dado tal responsabilidade de cuidar e dar nomes a todas as criaturas. Deus nos colocou aqui com uma grande missão: Ele nos chamou para sermos Mordomos da natureza.

JUSTIFICATIVA:

O QUE FAZER. Então, a questão ecológica nos remete a uma ampla questão, que é a de ver o ser humano como um todo (um ser integral). Não vivemos separados da natureza, mas sim, conectados, interligados com a natureza. Somos natureza e devemos ser, por natureza, ecológicos.

Quando Deus nos manda cultivar, cuidar está claro que implicitamente devemos criar. Este criar para o qual Deus nos chama vai muito mais além do que imaginamos; é o de criar relações políticas, econômicas, sociais e culturais.

PORQUE FAZER. Nos últimos tempos temos percebido claramente o avançar da degradação ambiental. Em alguns lugares, existem vários elementos da natureza em extinção, em decadência, em desarmonia, como lemos em Romanos 8.21: “... a própria natureza criada será libertada escravidão da decadência em que se encontra”. Neste texto, o apóstolo São Paulo mostra que nosso envolvimento como cristão deve ser o de ter um modo de vida diferenciado, onde nosso lema deve ser o de: guardar, cuidar, cultivar o Jardim.

Como nosso saudoso bispo Dom Robinson sempre demostrou preocupação com a Missão Integral da Igreja, entendemos que nossa brigada deverá ser assim denominada. BRIGADA DE CONSCIENCIA AMBIENTAL DOM ROBINSON CAVALCANTI.

A BRIGADA: Desenvolverá trabalhos na comunidade, oficinas de reciclagens, palestra ambiental e outras ações que visem o cuidado com a natureza.